“A mente não deve ser modificada pelo tempo e pelo lugar. A mente é o seu próprio lugar, e dentro de si Pode fazer um inferno do céu, do céu um inferno.”

– John Milton, Paradise Lost

“Quase todos os sentimentos dolorosos se originam de uma forma incorreta de ver a realidade. Quando você arrancar essas visões errôneas, o sofrimento cessa.

– O Buda, como escrito por Thich Nhat Hanh

Todos nós experimentamos pensamentos negativos ao longo do tempo. A maneira como gerimos as nossas atitudes negativas podem fazer a diferença entre a confiança contra o medo, a esperança contra o desespero, domínio versus vitimização, e a vitória contra a derrota.

Diversos estudos tem revelado como atitudes cronicamente negativas podem afetar nossa saúde, felicidade e bem estar. Abaixo estão oito pensamentos negativos comuns de pessoas infelizes, extraídas do livro “”How to Let Go of Negative Thoughts and Emotions ” de Preston Ni.

1  Narrativa Auto Destrutiva

Narrativas auto destrutivas são mensagens que enviamos para nós mesmos, e que reduzem nossa confiança, diminui nossa performance, nosso potencial e, finalmente, sabotam o nosso sucesso.

Narrativas auto destrutivas comuns incluem frases que se iniciam da seguinte forma:

“Eu não posso…”

“Eu não sou bom o suficiente…”

“Eu não me sinto confiante…”

“Eu não tenho o que é preciso…”

“Eu vou falhar…”

Você gostaria que um amigo lhe dissesse repetidas vezes que “não se pode ter sucesso”, “você não é bom o suficiente”, “você não tem confiança”, “você não tem o que é preciso”, ou “você vai falhar”? Você  consideraria essa pessoa um verdadeiro amigo? Se não, porque você iria querer falar ou pensar desta maneira sobre si mesmo? Engajar-se, de forma habitual, em uma conversa auto destrutiva é como ter um falso amigo, que coloca você pra baixo durante todo o dia. Você se torna o seu pior inimigo e detrator.

2. Suposições Negativas

A forma predominante de pensamento negativo é fazer um balanço de uma situação ou de uma interação e ver somente o seu lado negativo. Para muitas pessoas, essa atitude de “olhar para o copo meio vazio” é habitual e automático. Pode-se olhar para uma rodovia lotada, um dia chuvoso, ou simplesmente pagar as contas como experiências automaticamente negativas.

É claro que não há nada de intrinsicamente positivo ou negativo sobre o tráfego, tempo ou pagamento de contas. Como diz o ditado: “é o que é”. É a maneira que você escolhe para se relacionar com as circunstâncias que tornam a experiência negativa ou positiva. Esta escolha pode imediatamente fazer você mais forte ou mais fraco, mais feliz ou mais sombrio, com poderes ou vitimizados.

Dadas as mesmas situações, pode-se olhar para uma rodovia lotada e quase parada, como uma chance de ouvir música relaxante ou praticar a respiração consciente. Um dia chuvoso como uma oportunidade para se enrolar em casa com um chocolate quente e um bom livro, ou o pagamento das contas como uma ótima oportunidade de praticar estratégias de “pague você primeiro” para a criação de riqueza. É tudo sobre como você escolhe para se relacionar com o momento.

3. Comparação Negativa com os Outros

Uma das maneira mais fáceis e comuns de se sentir mal sobre si mesmo é se comparar desfavoravelmente com os outros. Podemos ser tentados a nos comparar com aqueles que têm mais realizações, parecem mais atraentes, os que ganham mais dinheiro ou que se orgulham de ter mais amigos no Facebook.

Quando você se encontra desejando ter o que alguém tem, sente ciúmes, inferior ou inadequado, como resultado, você está tendo um momento negativo de comparação social.

Pesquisas indicam que as comparações sociais negativas habituais, podem levar uma pessoa a experimentar um maior estresse, ansiedade, depressão e fazer escolhas autodestrutivas.

4. Ficar Ruminando as coisas negativas do passado

Devemos aprender com o passado, mas não ficar preso a ele. Às vezes, as circunstâncias da vida e contratempos pessoais podem nos assombrar e impedir de ver o nosso verdadeiro potencial ou até mesmo de reconhecer novas oportunidades. Não temos o poder de mudar o que já aconteceu, mas o que ainda está para acontecer, nós podemos moldar. Às vezes, o primeiro passo é simplesmente quebrar com o passado e declarar que é você quem está no comando, e não a sua história. Goethe nos lembra: “Nada vale mais do que o dia de hoje”. Não se debruce sobre o passado. Faça escolhas melhores hoje e siga em frente.

“Abraham Lincoln perdeu oito eleições, falhou duas vezes no negócio e sofreu um colapso nervoso antes de se tornar o presidente dos Estados Unidos”

– Wall Street Journal

5. Crenças Incapacitantes sobre pessoas difíceis.

A maioria de nós já cruzou com pessoas difíceis em nossas vidas. Em face de tais indivíduos desafiadores, somos tentados a acreditar que eles são os autores e nós somos as vítimas, ou que eles detêm o poder com o seu comportamento desafiador. Tais atitudes, mesmo que justificadas, são reativas e portanto nos enfraquecem.

A chave para mudar essas crenças incapacitantes quando estamos diante de pessoas difíceis, é deixar de sermos reativos e passarmos a ser proativos. Se você está lidando com um narcisista, um passivo-agressivo, um manipulador, ou um opressor intimidante e controlador, há muitas habilidades e estratégias que você pode utilizar para ficar em cima da situação. Para saber mais sobre este assunto, sugerimos as leituras “How to Communicate Effectively and Handle Difficult People ,” “How to Successfully Handle Narcissists ,” e “How to Successfully Handle Passive-Aggressive People .”

6. O Desejo de Culpa

Culpa se refere à responsabilidade dada à pessoa por um ato que provocou prejuízo material, moral ou espiritual a si mesma ou a outrem. [http://pt.wikipedia.org/wiki/Culpa].

Algumas pessoas colocam a culpa em pais disfuncionais, relacionamentos negativos, desvantagens sócio-econômica, os desafios da saúde, ou outras dificuldades da vida como a razão para a sua infelicidade e falta de sucesso.

Embora seja verdade que a vida apresenta muitas dificuldades, e é inegável a dor e o sofrimento que muitas vezes essas dificuldades nos causam – colocar a culpa nos outros como a razão para nossa infelicidade.

Há vantagens ilusórias na vitimização. Apontar o dedo fornece uma justificativa conveniente para as condições insatisfatórias da vida e assim abrimos mão do trabalho necessário para assumirmos as rédeas da nossa própria vida e bem estar. No entanto, ao longo do tempo culpando os outros por nossa perpétua amargura, ressentimento e impotência, como vítimas sofremos do que HD Thoreau chama de “desespero silencioso”.

Muitas vezes, aqueles que são o alvo de sua culpa têm pouca ideia (ou nem se importa) a respeito do que você realmente sente. Você só se machuca por ser um prisioneiro da sua própria amargura e ressentimento. Seus sentimentos podem ser justificados, mas eles não irão ajudá-lo a se tornar mais feliz, saudável ou bem sucedido. Em última análise, não é isso que você realmente quer?

“Quando culpamos, abrimos mão do nosso poder.”

– Greg Anderson

7. A Luta para se Perdoar

Todos nós cometemos erros na vida. Quando você olha para trás talvez houvessem decisões e ações que você se arrependa. Pode ter havido erros infelizes. Você pode ter causado mal a si mesmou ou a outras pessoas.

Como você se lembra destes últimos acontecimentos, pode haver uma sensação de acompanhamento de auto-culpa a respeito dos erros cometidos, dano causado, ou oportunidades perdidas. Você pode pensar em si mesmo como “mau” ou “perdedor” e assim permanece chafurdando na auto culpa. Durante esses momentos, é extremamente importante ser compassivo com você mesmo, sabendo que agora que você está mais consciente, tem a chance de evitar a repetição dos erros do passado, e para fazer uma diferença positiva consigo mesmo e com os outros.

“Perdoe-se. Todo mundo comete erros – e os erros não são afirmações permanentes sobre você como pessoa. Eles são momentos isolados no tempo. Diga a si mesmo: “Eu cometi um erro, ms isso não faz de mim uma pessoa má”.”

– Mayo Clinic

8. Medo de Fracassar e cometer erros

O medo do fracasso e de cometer erros são frequentemente associados com o perfeccionismo (pelo menos em certas áreas da vida). Você pode pensar que você não é bom o suficiente, de certa forma, colocando assum uma pressão enorme sobre si mesmo para ter sucesso.

Enquanto estabelece padrões elevados para servir como uma ferramenta de motivação eficaz, espera o momento perfeito para usufruir da alegria da vida e pode assim limitar o seu maior potencial para o sucesso. Diversos estudos correlacionam o perfeccionismo com a infelicidade. Por mais que tentemos, não é simplesmente humano ser perfeito, e certamente não o tempo todo.

“Dado o desejo de ser valorizado e apreciado, é tentador parecer ser perfeito, mas os custos de tais enganos são altos… Como você pode gostar de si mesmo quando você não deixa de medir até o jeito que você deveria ser?”

– R. Adler e R. Proctor II

[psychologytoday.com]